Machuca o coração assistir os vídeos acima. Conquistar o título do Campeonato Brasileiro de 1999 pareceu ser um sonho distante no início do torneio para o torcedor atleticano. Mas a Massa abraçou o time, lotou estádios (seja o Independência ou o Mineirão) e o time engrenou durante a competição.

Em campo, a proposta atleticana era simples, até pela falta de tarimba do técnico Dario Pereyra, apostando em um meio-de-campo de muita marcação. De resto, bastava contar com a qualidade da dupla de ataque formada por Marques e Guilherme, que assombrou o futebol brasileiro em 1999.  Na defesa, Velloso, e, principalmente, Cláudio Caçapa faziam a diferença.

A vaga nas quartas de final parecia consolidada, mas uma derrota por 4 a 0 para o Guarani na penúltima rodada pareceu ruir o sonho atleticano. Dario Pereyra foi demitido e Humberto Ramos assumiu o time no último jogo da fase de classificação. A vitória sobre o Grêmio aconteceu e a combinação de resultados necessária também. Depois disso, a equipe eliminou o rival Cruzeiro e o Vitória para chegar na final do Brasileirão.

O desafio era gigante. O atual campeão Corinthians tinha um time ainda melhor que o de 1998, com astros como Dida, Rincón, Vampeta, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Edílson e Luizão. O saldo da primeira final foi positivo, com uma vitória por 3 a 2. Mas a grave lesão sofrida por Marques estragou um pouco a festa e tornou o sonho mais complicado. E, para piorar, o Galo perdeu a segunda decisão por 2 a 0.

O time precisa vencer a final em um Morumbi lotado por corintianos. Mas nem o clima adverso e a qualidade corintiana intimidaram o Atlético. O time foi valente, jogou com garra e lutou muito. Dida, porém, fez de tudo para impedir a conquista do Galo, enquanto Marcelinho Carioca misturava talento com cotoveladas. E o gol do título não saiu.

A etapa final foi ainda mais nervosa. Belletti quase fez um golaço e poderia ter saído como vilão ao ser expulso. Poderia, porque ninguém esqueceria o seu bom desempenho na competição. E muito menos a cena emblemática do choro sincero e incontido sozinho, no vestiário.

Sim, ao atleticano machuca relembrar aquela 0 a 0  e a perda de um título que escorreu pelos dedos, por erros e pequenos detalhes. A sensação é de impotência por não poder alterar um passado que merecia ter tido um final mais justo e bonito.

Ficou também, porém, a certeza de que derrotas não apagam o valor de um grupo comprometido, que soube se impor diante de um adversário de mais qualidade técnica. E como diz o hino, “honrou o nome de Minas no cenário esportivo mundial” porque lutou até o final, jogando “com muita raça e amor”. Por isso, não é necessário um troféu para se orgulhar do elenco do Atlético que disputou o Brasileirão de 1999. Às vezes, a valentia pode até valer mais do que um título (que o diga o Oswaldo de Oliveira…).

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A partida entre Atlético e Vitória pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro era de vital importância para o time mineiro seguir forte na luta pelo título da competição. Afinal, naquele momento, a equipe dependia apenas de suas forças para ser campeão. Ou seja, oito finais até os primeiros dias de dezembro.

O torcedor atleticano, dono da maior média de público do Brasileirão, cumpriu com o seu tradicional papel e lotou o Mineirão, com quase 58 mil pagantes. Mas seria tolo acreditar que apenas a boa fase da equipe e a paixão da torcida levaram tanta gente ao Mineirão. Havia um motivo especial: a presença de Marques no banco de reservas. Sim, porque a paixão e a gratidão precisam de muito pouco para dizer “presente”.

Antes de a bola rolar, o torcedor já demonstrou seu espírito ao saudar o ídolo. E, claro, foi saudado por ele. O carinho permanecia o mesmo de 12 anos atrás, quando acontecera a conquista. Em campo, não faltaram momentos marcantes. O que se viu foi um Atlético tranquilo, inteligente, que soube tocar a bola até envolver o rival e abrir o placar com uma finalização precisa de Diego Tardelli, artilheiro do Brasileirão e jogador que vai escrevendo seu nome na galeria do clube. No primeiro tempo, ainda houve uma bela trama entre Ricardinho e Serginho, que parou no goleiro colombiano Viáfara.

Na etapa final, o jogo mudou depois que Tardelli desperdiçou a chance de marcar um golaço. O Vitória passou a ser atrevido, dominou o meio-de-campo e teve duas oportunidades para empatar a partida. O gol não saiu graças ao uruguaio Carini. E o torcedor atleticano, com a visão dividida entre o aquecimento dos reservas e a partida renhida, voltou a se lembrar de 1997,1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2006 e 2008 e clamou pelo seu salvador de inúmeras outras vezes: “Olêêêêêêêêêêêêêêêêêêê Marques”.

Aos 22 minutos, uma explosão de alegria no Mineirão. Celso Roth atende o apelo (não teria graça nenhuma estragar a festa), chama Marques e o manda substituir o até então inoperante Rentería. Foi o suficiente para desconhecidos se abraçarem, telefones tocarem e os torcedores vibrarem como em um gol. O ídolo estava de volta após superar dez meses de inatividade e uma cirurgia problemática para um veterano.

Bastou a entrada do Xodó da Massa para o Atlético retomar as rédeas do jogo. Ele soube trabalhar com Tardelli, que, porém, perdeu pênalti aos 30 minutos. A bola insistia em não entrar. Aos 47 minutos, Marques gingou, driblou Viáfara e cruzou com perfeição para Evandro. O meia, porém, conseguiu finalizar para fora. Nem tudo pode ser perfeito. Mas a vitória estava garantida. E Marques brindou os atleticanos com a garra e a técnica apurada de sempre em mais um reencontro comum, mas sempre especial.

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Ricardinho é paranaense, começou a sua carreira no Paraná Clube e logo se transferiu para a França. Mas foi no futebol paulista que o meio-campista de cabelos grisalhos se destacou. Repatriado por Vanderlei Luxemburgo, formou com Freddy Rincón, Vampeta e Marcelinho Carioca no Corinthians um dos cinco melhores meios-de-campo da história do futebol brasileiro.

No Corinthians, Ricardinho brilhou. Foi bicampeão brasileiro, campeão estadual, da Copa do Brasil, do Mundial de Clubes. Mas também colecionou acusações de ser dedo duro e venceu um conflito contra Marcelinho Carioca, um dos seus principais desafetos. Mas uma polêmica transferência para o São Paulo fez seus feitos serem esquecidos pelos corintianos. Sobrou rancor, que culminou em desprezo depois de uma segunda passagem desastrosa pelo clube.

Contratado em 2002, Ricardinho chegou ao São Paulo com status de melhor jogador do futebol brasileiro e com o objetivo de encerrar o jejum de títulos nacionais, que já era de 11 anos. Com um salário de R$ 400 mil passou a ser mal visto pelos companheiros e fracassou nas quartas-de-final do Brasileirão diante do Santos de Robinho. Para piorar, no ano seguinte, perdeu a final do Estadual para o rival Corinthians. Saiu no final de 2003, após classificar o São Paulo para a Libertadores. Mesmo assim, deixou o clube pela porta dos fundos e sem aplausos.

Não foi à toa, portanto, que Ricardinho teve seu nome vaiado quando sua escalação para o jogo entre São Paulo e Atlético foi anunciada no Morumbi. Contratado pelo time mineiro em setembro, o meia chegou ao clube com a função de ser o comandante do Galo na reta final do Brasileirão.

Apesar da expectativa, Ricardinho não chegou com condição de titular absoluto. Ficou no banco de reservas em suas quatro primeiras partidas (Santos, Barueri, Botafogo e Cruzeiro). Foi quando uma daquelas coincidências que são sempre chamadas de destino aconteceu.

A atuação apagada de Evandro no clássico mineiro, a pressão por dois tropeços seguidos e a semana completa de treinamentos fez com que Celso Roth decidisse escalar Ricardinho desde o início pela primeira vez. E a responsabilidade do camisa número 80 era grande. Fazer o Atlético voltar a vencer fora de casa, o que reacenderia o sonho do título brasileiro.

Experiente, Ricardinho não se abateu com as vaias, mais do que esperadas, dos são-paulinos. E mostrou a sua precisão logo no primeiro minuto. Diego Tardelli foi atropelado por Miranda. O meia atleticano sabia que a chance era boa demais para ser desperdiçada em uma partida fora de casa.

Cobrou a falta na segunda trave. Tardelli (outro ex-são-paulino, também vaiado antes do jogo) completou: 1 a 0. Depois disso, foi preciso apenas apresentar o seu domínio de um meio-de-campo, com passes inteligentes. Também ditou o ritmo do confronto, ignorando a propalada força do São Paulo em casa, evitando que o time mineiro fosse sufocado, e, mostrando já conhecer a sina de vingador do Galo.

Enquanto isso, jogadores do São Paulo até trombavam na tentativa de desarmar Ricardinho. Extenuado, foi substituído aos 36 minutos do segundo tempo, já que o triunfo estava garantido. E saiu aplaudido pela Massa Atleticana. Era assim que ele queria que fosse seu retorno ao Morumbi. Os são-paulinos, claro, vaiaram. Mas devem ter reconhecido a falta que faz um camisa 10 (ou 80, no caso), que sabe se posicionar, joga com tranqüilidade e sabe controlar o jogo.

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Quando o goleiro Renê cortou um cruzamento e a bola sobrou para Diego Tardelli no lado esquerdo da grande área, havia duas certezas: a de que o atacante colocaria o Atlético em vantagem, abrindo o placar, e de que ele seria o protagonista do confronto com o Barueri no Mineirão, mais uma vez, lotado.

Mas um bom time, que sonha com o título nacional após 38 anos, não se faz apenas com um excelente jogador. E foi o que o uruguaio Carini mostrou aos 28 minutos do primeiro tempo, depois de derrubar Basílio na grande área. O veterano atacante cobrou o pênalti e o goleiro fez extraordinária defesa.

A partida seguiu, portanto, com dois candidatos a ser seu dono: Tardelli e Carini. Aos 34 minutos do segundo tempo, o volante Corrêa roubou a posse de bola, passou por dois adversários e lançou Diego Tardelli. A jogada já havia acontecido na vitória por 3 a 1 sobre o Santos e terminara com gol. Dessa vez, porém, o artilheiro atleticano foi derrubado na entrada da grande área.

Tardelli pediu para bater a falta. Ricardinho e Corrêa se negaram. O primeiro passou por cima da bola. Foi a vez de Corrêa se consagrar. Cobrança perfeita, com a bola tocando no travessão antes de entrar. Vitória garantida com gol do dono do jogo, que conseguiu ofuscar até o camisa 9 do Atlético.

Corrêa, um volante que deixou o Brasil após boa passagem pelo Palmeiras, com a conquista da Série B em 2003 e campanhas respeitáveis no Brasileirão. Fez sucesso no Dínamo de Kiev, onde ganhou todos os títulos possíveis na Ucrânia, e voltou mais maduro ao Brasil, como já admitiu.

A forte marcação segue sendo a mesma, acompanhada por passes, lançamentos e cobranças de escanteio e falta precisos, somadas ao poder de liderança, fundamental para um meio-campista e ao Atlético. E, agora, com um golaço decisivo.

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O sucesso individual no trabalho pode atrapalhar o colega da mesa ao lado. No Atlético, Diego Tardelli, contratado no início do ano, vem tendo desempenho arrebatador em 2009. Tão espetacular que levantou questionamentos sobre seu companheiro de ataque em momentos de pressão.

Cedido por empréstimo ao São Paulo em 2008, em mais uma das negociações do então presidente Ziza Valadares que ninguém entendeu, Éder Luís viveu um ano quase sabático. Foi importante em partidas contra Vitória (em que marcou um dos gols mais bonitos da temporada) e Palmeiras, mas, no geral, passou muito tempo assistindo a conquista do hexacampeonato brasileiro como um reles coadjuvante no banco de reservas.

De volta ao Atlético, viveu uma daquelas situações inusitadas, que alguns teimam em chamar de destino. Afinal, seu companheiro de ataque havia surgido como promessa e fracassado exatamente no São Paulo. E foi com Diego Tardelli que Éder se tornou coadjuvante do time, já que o companheiro se consagrou rapidamente, com muitos gols e a artilharia do futebol brasileiro e do Campeonato Mineiro.

Vida de coadjuvante não é fácil. Afinal, a cobrança pode ser a mesma do protagonista e, para piorar, sem as suas benesses. Mesmo elogiado, o excesso de individualidade, os erros de passes, as finalizações erradas acabam se tornando cobrança sobre Éder. Mesmo de parte de uma torcida fanática e apaixonada como a do Atlético.

Para dificultar a situação de Éder, o Galo se reforçou com o colombiano Rentería. Xodó da torcida do Internacional, mas com passagem apagada pelo futebol europeu, veio em operação pra lá de inteligente do presidente Alexandre Kalil, que passou a perna no rival Cruzeiro. Difícil não receber algumas chances como titular. E elas vieram como resultado (ou justificativa) de lesões de Éder Luís.

A troca não deu certo e o Atlético oscilou no Brasileirão. E Celso Roth decidiu apostar novamente em Éder Luís. Contra o Santos, no Mineirão, o atacante voltou a jogar ao lado de Diego Tardelli desde o apito inicial. E foi o artífice principal no primeiro tempo, com jogadas de velocidade, finalizações e. principalmente, como o homem a ditar o ritmo de um massacre. Ironia: a bola resistiu em não entrar e o primeiro tempo terminou apenas 1 a 0, com gol de Evandro, em 45 minutos inesquecíveis para atleticanos e admiradores de futebol. Éder, que sofreu com problemas de finalização no início da carreira, mostrou sua evolução em finalizações de fora da área. Mas não era o dia do seu gol sair.

Modificado, o Santos tentou reagir no segundo tempo, enquanto o Galo apostava em contra-ataques, quase sempre puxados por Éder Luís. Esperto, aproveitou erro da defesa santista para retomar a posse de bola. Tinha Tardelli como opção ao seu lado, mas o individualismo e a autoconfiança apareceram. Disparou em velocidade, driblou um rival e, na grande área, foi por Fabão. Pênalti. O gol foi de Tardelli, mas a assinatura foi de Éder. O triunfo estava sacramentado.

Depois, Tardelli, como bom protagonista, ainda faria o terceiro gol, aproveitando lançamento primoroso de Corrêa. E o Santos diminuiria com Kleber Pereira, em partida que também ficou marcada pela estreia do pentacampeão Ricardinho.

A vitória, que reacendeu sonhos ao torcedor, devolveu Éder Luís ao seu papel. Titular e decisivo, mesmo que coadjuvante, de um time que enche o atleticano de orgulho.

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O ano de 1992 foi complicado para o Atlético. O Galo fez campanha medíocre no Campeonato Brasileiro, foi eliminado na segunda fase da Copa do Brasil pelo Criciúma e ficou fora da decisão do Campeonato Mineiro. Nem por isso, deixou de lado a sua tradição de pioneirismo.

Um ano antes, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) decidiu organizar a Copa Conmebol, um torneio aos moldes da Copa da Uefa, envolvendo os principais clubes sul-americanos da temporada que ficaram fora da Libertadores. Até então, a entidade só organizava a Libertadores, a Supercopa e a Recopa.

Escolhidos por critérios técnicos, os representantes brasileiros na primeira edição, em 1992, foram Bragantino (vice-campeão brasileiro de 1991), Atlético (terceiro lugar no Brasileirão de 1991), Fluminense (quarto lugar no Brasileirão de 1991) e Grêmio (vice-campeão da Copa do Brasil de 1991).

Derrotado por 2 a 1 pelo Fluminense em Juiz de Fora, o Atlético mostraria a sua força no jogo de volta das oitavas de final ao avançar com um implacável 5 a 1. A força do Galo no Mineirão seria comprovada nos confrontos seguintes. Passou pelo Atlético Nacional, com um empate por 2 a 2, na Colômbia, e um triunfo por 3 a 0 em Belo Horizonte.

Na semifinal, contra o El Nacional, que havia eliminado o Grêmio, o desempenho foi semelhante. Derrota por 1 a 0, no Equador, e classificação para a final com vitória por 2 a 0 no Mineirão. Assim, o Galo estava na final da primeira Copa Conmebol.

O adversário da final prometia duelos emocionantes. O Olímpia ainda possuía a base campeã da Libertadores de 1990 e iria disputar o segundo jogo em casa. Mas o Atlético mostrou estar pronto para guerra e embaixo de chuva, e com o Mineirão devidamente lotado, venceu a primeira final por 2 a 0, envolvendo o rival. A estrela de Negrini, promessa do Atlético-PR, brilhou, ao marcar os dois gols do triunfo.

No Paraguai, o Galo enfrentou pressão, bombas atiradas no campo, mas só sofreu um gol, espírita, aos 44 minutos do segundo tempo, marcado por Caballero. O título da primeira Copa Conmebol tinha dono e era do primeiro campeão mineiro, do primeiro time a ganhar uma competição nacional (Campeão dos Campeões em 1936), o primeiro time brasileiro a excursionar pela Europa, o primeiro campeão do Campeonato Brasileiro…

Como bônus, os vídeos da vitória por 5 a 1 sobre o Fluminense e da homenagem aos bicampeões da Copa Conmebol.

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Em 1969, a seleção brasileira foi a principal atração da festa de quatro anos do Mineirão. “As Feras de Saldanha” foram convidadas para participar de uma  rodada dupla no principal estádio do futebol mineiro no dia 3 de setembro. Na preliminar, o Cruzeiro venceu o América por 3 a 1.

Ao Atlético restou a honra e responsabilidade de enfrentar a seleção brasileira. Três dias antes, o time de Saldanha havia vencido o Paraguai por 1 a 0, em partida com o maior público da história do Maracanã, e se classificado para a Copa do Mundo de 1970. O sonho do tricampeonato mundial, interrompido pela desorganização, por Portugal e Eusébio em 1966, estava novamente vivo (e o título viria, com uma escalação parecida d que enfrentou o Atlético, mas sob o comando de Zagallo).

Ainda sob efeito da classificação para o Mundial, o Brasil entrou em campo para defender uma invencibilidade de 19 partidas. Nem por isso, o Atlético se apequenou e, mesmo na véspera do amistoso fez questão de mostrar quem mandava no Mineirão, como comprova uma manchete do jornal Estado de Minas: “Yustrich [técnico do Atlético] diz que as feras ainda são mansas”.

E a raça atleticana, característica essencial das equipes vencedoras do Galo, prevaleceu, em mais um caso de superação da equipe. As Feras de Saldanha foram dominadas e neutralizadas por um time que começava a reassumir as rédeas do futebol mineiro. Foi assim, que saiu em vantagem no final do primeiro tempo com Amauri. Pelé, impedido, ainda empatou o confronto no início da etapa final.

Mas Dario, em um chute forte e de primeira, deu a vitória ao Galo aos 19 minutos do segundo tempo. Com isso, Dadá confirmava ter condições de ser o camisa 9 de um time da grandeza do Atlético e de que teria condições de liderar a equipe nas conquistas dos anos seguintes, como no Campeonato Mineiro de 1970 e no Brasileirão de 1971. O gol também foi um empurrão importante para sua convocação para a Copa do Mundo de 1970.

Apesar de um mero amistoso, o Atlético entrou para história como única equipe (incluindo seleções) a derrota o Brasil campeão mundial de 1970, apontada como maior seleção da história do futebol. E, coincidência ou não, a CBD, e posteriormente a CBF, passou a evitar a realiação de amistosos contra clubes brasileiros.

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Todo grande time precisa de um grande goleiro. A frase é batida, antiga, já foi repetida inúmeras vezes, mas é verdadeira, principalmente pela tranquilidade transmitida ao sistema defensivo por um bom arqueiro. Clube com enorme tradição na revelação de goleiros, o Atlético-MG foi buscar em Campinas a solução para uma carência que carrega desde 2007, quando Diego foi vendido durante o Campeonato Brasileiro ao Almería, da Espanha.

Aranha chegou ao Atlético-MG no final de maio credenciado por passagem irretocável na Ponte Preta, onde foi destaque no vice-campeonato paulista de 2008 e na conquista do Título do Interior, em 2009. Em Belo Horizonte, ganhou, porém, sua primeira chance em um time grande.

Em um clube com a força do Atlético, as qualidades e defeitos aparecem com mais facilidade. Negativamente, acompanhamos a falha grosseira cometida na derrota por 4 a 2 para o Barueri. Outros erros também apareceram em algumas partidas, mas sem afetar o desempenho da equipe.

As virtudes, porém, já apareceram nas primeiras partidas com o goleiro. E foram abundantes na vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, sob os olhos de 56 mil atleticanos que, mais uma vez, fizeram uma festa que apenas uma torcida sabe realizar, sendo fundamentais para o triunfo.

Um jogo em que o Atlético teve mais uma boa atuação, mas sofreu, principalmente nos minutos finais, com uma arbitragem tendenciosa e um adversário motivado (e bem organizado) por conta da estreia de um novo técnico.

Nos momentos difíceis, foi a vez de Aranha mostrar que o investimento feito para tirá-lo da Ponte Preta foi correto e promete render frutos. O goleiro teve uma atuação estupenda, que compensou algumas de suas deficiências com força, posicionamento perfeito e agilidade, em defesas improváveis e saídas precisas do gol.

O excelente goleiro é aquele que pega as bolas que todos acham que vai entrar no gol. Contra o Fluminense, foi isso que Aranha fez ao evitar dois gols do time das Laranjeiras.  Assim, junto com Welton Felipe, Thiago Feltri, Serginho e Diego Tardelli, foi decisivo para mais uma vitória do Atlético.

Ainda é cedo para cravar que os problemas enfrentados pelo Atlético em sua meta, tão comuns em tempos de Juninho e Edson, estejam superados. Mas, ao que parece, o fantasma e os pesadelos da Massa começaram a ficar no passado.

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O ano de 2008 foi tenebroso no Atlético, principalmente pelas decepções em campo e confusões políticas em meio ao centenário do clube. O desempenho do time não refletiu a paixão das arquibancadas e a festa do pelos 100 anos, comemorados no dia 25 de março. Exceto em algumas partidas, como as vitórias sobre Santos e Flamengo ambas fora de casa, o desempenho do Galo foi sofrível. Se salvaram, porém, algumas promessas das categorias de base e/ou jogadores que chegaram ao clube com idade de juniores, que se firmaram ou sugiram com futuro promissor, como Leandro Almeida, Renan Oliveira e Serginho.

Dos três, Serginho foi quem mais sofreu no final do ano. O volante teve que ser submetido à cirurgia para reconstruir o ligamento cruzado anterior do joelho direito por conta de lesão sofrida em outubro, durante partida contra o Coritiba. A gravidade da contusão afastou Serginho do futebol por oito meses exatamente no momento em que se firmava entre os titulares e como um dos jogadores mais importantes do elenco atleticano.

O retorno foi difícil, demorado e sofrido. Serginho entrou durante o segundo tempo da vitória por 3 a 2 sobre o Santos, na Vila Belmiro, e, apesar da luta, pecou por conta da falta de ritmo de jogo. No clássico contra o Cruzeiro, no último domingo, demonstrou mais desenvoltura em parte da etapa final e ajudou, mesmo sem brilhantismo, o Atlético a derrotar o rival por 3 a 0.

A primeira chance como titular surgiu nove meses depois da contusão, contra o São Paulo, atual tricampeão brasileiro, na última quinta-feira. E Serginho foi fundamental para a vitória por 2 a 0, amparado por atuações de gala de Welton Felipe, Carlos Alberto, Thiago Feltri e Diego Tardelli, além do apoio de mais de 54 mil torcedores no Mineirão.

Serginho voltou a apresentar o fôlego, a atuação sempre com a cabeça levantada, a qualidade do passe, a forte marcação sobre os adversários sem ser necessário abusar das faltas, o posicionamento correto e, principalmente, a velocidade na saída de jogo, ditando o ritmo de jogo do Atlético.

Uma atuação decisiva para o volume de jogo do Galo nos 90 minutos, que deixou a defesa do São Paulo perdida. Para coroar seu desempenho, decidiu a partida aos sete minutos do segundo tempo. Arrancou do meio-de-campo, escapou de uma falta tabelou com Eder Luís, e finalizou no canto esquerdo do gol da Lagoa do Mineirão. A vitória, a volta da confiança e a liderança do Campeonato Brasileiro estavam sacramentadas.

Melhor ainda é observar a afirmação e a recuperação do atleticano Serginho, de Contagem. Ele chegou ao clube em 2007, aos 19 anos, após passagem pela base do Villa Nova, e já ganhou suas primeiras chances na equipe logo em seu primeiro ano. Foi cedido ao CRB para amadurecer, conquistou seu espaço com Marcelo Oliveira em 2008, mas teve sua trajetória interrompida por uma lesão.

Agora, Serginho parece estar pronto para reconquistar seu espaço e mostrar porque emocionou tantos atleticanos quando o marcou seu gol contra o São Paulo na quinta-feira. Além de ter a chance de ser um dos vértices de um time que tem todo direito de sonhar com o título brasileiro.

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Quando Émerson Leão foi justamente demitido do Atlético após desastroso desempenho na final do Campeonato Mineiro, uma série de questionamentos caíram sobre os ombros de Diego Tardelli. Promessa do São Paulo, ele foi um dos destaques da conquista do Paulistão de 2005, marcou um gol na decisão da Libertadores no mesmo ano, mas ficou marcado por problemas disciplinares e viu seu brilho se apagar, reaparecendo apenas em alguns momentos decisivos, como nas finais da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, vencidas pelo Flamengo em 2008.

No mesmo ano, se envolveu em duas polêmicas em Belo Horizonte. Na primeira, o goleiro Bruno armou uma “festinha”, em um sítio próximo da capital mineira, que terminou na polícia. Dentro de campo, foi personagem principal do chororô flamenguista (logo eles…) por conta de um suposto pênalti não marcado em partida decisiva contra o Cruzeiro.

Mesmo com tais contratempos, voltou para Belo Horizonte em 2009, contratado pelo Atlético, por indicação de Leão, seu primeiro técnico no São Paulo. O sucesso foi rápido. Artilheiro do Torneio de Verão, artilheiro do Campeonato Mineiro, artilheiro do Atlético, artilheiro do Brasil. Mas Leão se foi e o sucesso de Tardelli foi questionado por conta de um pequeno jejum.

A falta de gols, porém, logo se encerrou, com atuações brilhantes contra Grêmio e Atlético-PR. E a afirmação veio na vitória por 3 a 0 sobre o Náutico, que colocou o Atlético na liderança do Brasileirão, e teve também como protagonistas o zagueiro Welton Felipe, o volante Márcio Araújo, o lateral/meia Júnior e mais de 40 mil atleticanos que, juntos, massacraram o time pernambucano (todos merecedores de honrarias que, oxalá, acontecerão, nos próximos meses).

A afirmação do amadurecimento de Tardelli e a confirmação de que ele é um dos melhores atacantes do futebol brasileiro aconteceu entre a sexta-feira e os 18 minutos do segundo tempo da vitória sobre o Náutico. Na antevéspera do duelo com o time pernambucano, Tardelli teve que ouvir, durante um treinamento, a reclamação de Roth por tentar dominar uma bola ao invés de cabeceá-la. A compreensão da bronca, o trabalho para evoluir e a matreirice do bom relacionamento com a chefia viria no domingo, com gol e comemoração especial:

“Ele (Celso Roth) sabe que o meu ponto fraco é o cabeceio e vem trabalhando muito isso. Apesar de ter alguns gols de cabeça na carreira, aqui no Atlético eu ainda não havia feito. Então, foi uma aposta que fizemos, que ele viria comemorar comigo se eu fizesse um gol de cabeça. Ele cumpriu palavra dele, me deu um abraço e foi um momento bem legal entre jogador e treinador”.

Tardelli, portanto, mostrou que tem tudo para ser um dos destaques de um time que volta, em 2009, a almejar grandes feitos. Pode, claro, não conseguir, mas, ao menos, terá acalentado os sonhos da Massa. E isso já basta por uma torcida que só existe e caminha por ter uma paixão: o Clube Atlético Mineiro.

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