O título mundial que o Corinthians ganhou completa hoje, dia 14 de janeiro de 2000, seu décimo aniversário.
(Sim, o Corinthians é campeão mundial – ao contrário de Santos, Flamengo, Grêmio e outros. A lista completa dos vencedores do torneio está aqui.)
Para homenagear a data, o Sete Doses apresenta algumas curiosidades sobre o maior Timão que o Corinthians já teve:
*Edílson nunca gostou de jogadores estrangeiros. Em uma conversa com Vampeta, o atacante ficou inconformado quando o amigo elogiou o francês Christian Karembeu e o holandês Clarence Seedorf para alguns jornalistas. “Esse Zidorf não jogada nada!”, protestou. Em seguida, prometeu passar a bola entre as pernas de Karembeu se tivesse uma oportunidade. O lance aconteceu no dia 7 de janeiro de 2000, quando o Corinthians empatou por 2 a 2 com o Real Madrid, no Morumbi.
*Karembeu, no entanto, não foi a única vítima de Edílson naquele jogo. Corinthians e Real Madrid estavam concentrados no mesmo hotel durante o Mundial de Clubes. Sempre acompanhado por Vampeta, o baiano entrou em um elevador repleto de jogadores adversários antes da partida. Vampeta ficou constrangido. Edílson não. O atacante tirou uma cédula de dinheiro do bolso, amassou e desafiou o lateral esquerdo Roberto Carlos: “Está vendo essa nota aqui? O dinheiro é igual a você. Vou te arrebentar e colocar no bolso! Você está fodido na minha mão! Vai ser humilhado!”. Roberto Carlos correu para trás quando viu Edílson em um dos gols do Corinthians. Os dois haviam jogado juntos no Palmeiras.
*Nem mesmo os estrangeiros do Corinthians escapavam de Edílson. Vampeta tentou apartar uma das muitas brigas do amigo com o colombiano Freddy Rincón no vestiário: “Calma aí, porra, está maluco? Não vai bater nele, Freddy!”. Só não esperava que Edílson abusasse da ajuda: “Em mim, você não vai bater mesmo, Rincón. Vai bater no Vampeta, que é do seu tamanho”. Vampeta se esquivou da confusão.
*A amizade entre Vampeta e Edílson se fortaleceu em uma delegacia. Acompanhados por Paulo Isidoro, eles foram assistir a um jogo da seleção brasileira na lanchonete Burdog, na Avenida Doutor Arnaldo. Um policial entrou no estabelecimento, aos gritos: “Uma Cherokee branca, parada em fila dupla, está sendo multada. É de alguém?”. Era de Edílson. “Como você já multou essa merda, não vou mais tirar o carro!”, avisou o baiano, que passou a noite como detento.
*Mais uma (e última) de Edílson, eleito o melhor jogador do Mundial de 2000 pela Fifa. O jogador participou do programa Mesa Redonda e disse que Marcelinho Carioca não era o único capitão do Corinthians. No dia seguinte, Marcelinho foi informado por seu motorista de que havia sido chamado de “traíra” pelo atacante. Tirou satisfação com o goleiro Maurício: “Esse Edílson é um baita traíra!”. No vestiário, após o treinamento, Edílson resolveu esclarecer outros boatos que ouvira: “Vem cá, parceiro. Que história é essa de eu ter te trairado? Está ficando maluco? Agora você vai ver quem é o traíra!”. Edílson pegou uma faca e começou a correr atrás de Marcelinho. “Só para assustar”.
*Marcelinho Carioca não queria participar do jogo de volta contra o San Lorenzo, pelas quartas de final da Copa Mercosul de 1999. Foi expulso ainda no primeiro tempo do jogo de ida. Após a partida (com derrota de virada, por 2 a 1), Freddy Rincón estava revoltado. O colombiano agarrou Marcelinho no vestiário e arremessou o colega contra os armários de ferro do estádio argentino Nuevo Gasómetro. Acabou contido por outros jogadores.
*A maior decepção de Marcelinho no Corinthians aconteceria em 2000, quando ele desperdiçou um pênalti contra o rival Palmeiras na Copa Libertadores da América. Na hora da cobrança, o preparador físico Paulo Paixão ficou gritando atrás do gol: “Ele vai chutar no meio!”. Marcelinho iria chutar no meio. Mudou de lado. O goleiro Marcos defendeu.
*O Corinthians contava com um indígena na equipe titular que disputou o Mundial de Clubes. Natural da tribo Xukuru-Kariri, o lateral direito Índio garante que seu salário era de apenas R$ 1.500 (valor irrisório para um jogador de futebol) na época. Sentia-se “roubado” por dirigentes. Mas ele não se mostrava ingênuo para jogar cacheta nas concentrações. Escondia as cartas e faturava cerca de R$ 300 em cada rodada de apostas.
*Outra do Índio. O lateral chegou a São Paulo e ficou assustado com a cidade grande. Ainda assim, comprou um Astra GLS e arrumou uma namorada em Itaquera. Voltando para casa após um dos encontros com a garota, seu automóvel foi alvejado por assaltantes. Índio passou a evitar sair de casa na capital.
*Ao contrário de Marcelinho, Índio acertou a sua cobrança de pênalti na Copa Libertadores da América de 2000. Essa era uma responsabilidade que costumava sobrar para os novatos. Na decisão do Mundial, muitos jogadores experientes pediram para não bater. Os jovens Edu e Fernando Baiano fizeram o contrário.
*O atacante Luizão não queria perder aquele Mundial para o Vasco de jeito nenhum. O jogador havia deixado o clube carioca após o folclórico Eurico Miranda reclamar que ele bebia demais e adorava as madrugadas.
*Antes de enfrentar o Corinthians no Mundial, o Vasco jogou contra o mexicano Necaxa. Mário Miranda, filho de Eurico, brigou com seguranças no vestiário do Maracanã na ocasião. O presidente vascaíno se revoltou e tentou invadir um setor proibido pela organização do evento: “Foda-se a Fifa! Sou eu que mando!”.
*Os jogadores do Manchester United frequentaram bastante as areias de Copacabana durante o Mundial, mas quase sempre com as expressões enfezadas. Passaram a sorrir e a fazer discursos elogios ao Brasil depois de uma reprimenda do Consulado Britânico.
*Os jogadores do Al Nassr, da Arábia Saudita, precisaram respeitar o jejum do Ramada durante o Mundial. Só comiam à noite. Preferiam bolachas de coco e refrigerante à base de guaraná.
*No dia da decisão do Mundial, havia uma bandeira da Mancha Verde (torcida organizada do Palmeiras) entre os vascaínos. Do lado corintiano, um policial com a camisa da Força Jovem (uniformizada do Vasco) sob a farda distribuiu agressões aos visitantes.
*Quase 600 corintianos ficaram sem condução para voltar a São Paulo após a partida contra o Vasco. Dormiram no Maracanã e receberam doações de flamenguistas. Na Avenida Paulista, onde uma multidão festejava, alguns levaram violões e cachorros da raça pitbull para ironizar Viola, Romário e Edmundo.
Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses




